quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Rival do GPS, serviço de navegação chinês começa a operar na Ásia

Um satélite de navegação chinês, criado para eventualmente competir com o Global Positioning System (GPS), dos Estados Unidos, começou a oferecer seus serviços para usuários asiáticos, de acordo com a agência AP.
 
O porta-voz Ran Chengqi afirmou que o Beidou está oferecendo a partir desta quinta-feira serviços de posicionamento, navegação, tempo e mensagens de texto para usuários na região da Ásia-Pacífico.
 
A China espera que o Beidou gere cerca de US$ 63 bilhões anuais, em serviços para os setores de transporte, meteorologia e telecomunicações. O gigante asiático, e em especial suas Forças Armadas, usa há anos o dominante GPS, dos Estados Unidos. Os chineses temem que Washington possa retirar o sistema do ar em um possível conflito ou emergência.
 
Fonte: Terra.

Publicação retrata socioeconomia alagoana em mapas

 
 
 
 
Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande) lançou, nesta quarta-feira (26), o Alagoas em Mapas. A publicação traz um conjunto de mapas sobre o Estado e seus municípios, abordando diversos aspectos como demografia, caracterização territorial, indicadores socioeconômicos e infraestrutura. Elaborada pela diretoria de Geoprocessamento da Seplande, a publicação, inédita no Estado, conta com 146 mapas e dez imagens anáglifas para visualização em 3D.
 
Para a formatação dos mapas, foram captados dados de instituições como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eletrobras Distribuição Alagoas, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto do Meio Ambiente (IMA). O Alagoas em Mapas será distribuído em escolas das redes municipal e estadual, universidades e para representantes do executivo e legislativo do Estado e dos 102 municípios, como instrumento para nortear a criação de políticas públicas.
 
“Essas informações são capazes de subsidiar estudos da situação socioeconômica de Alagoas. Além da criação de políticas públicas, os dados podem servir para os gestores avaliarem e monitorarem programas, projetos e ações. O Alagoas em Mapas traz a realidade do Estado de maneira inovadora, nunca contamos com uma publicação com esse volume de informações”, declarou o secretário de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes, que enfatizou o trabalho de todos os técnicos envolvidos em um processo que teve duração de dez meses.
 
O Alagoas em Mapas está dividido em seis áreas, que trazem desde aspectos dos setores estruturais, como abastecimento de água e energia, até mapas sobre a produção agrícola, industrial e do comércio em Alagoas.
 
De acordo com o diretor de Geoprocessamento da Seplande, Robson Brandão, a publicação conta com as informações mais atualizadas de alguns índices como o número de matrículas no ensino fundamental em Alagoas; o total e a distribuição de médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas no Estado; a frota de veículos nos municípios; o total da população urbana e a taxa da mortalidade infantil.
 
Metodologia

O diretor ainda fala que as tecnologias utilizadas na estruturação do banco de dados geográficos foram baseadas em softwares livres. Para elaboração dos mapas, foi utilizado como principal sistema de informações geográficas o TerraView versão 4.2.1, desenvolvido pelo Departamento de Processamento de Imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (DPI/INDPE).
 
Novo Mapa

Outra novidade da diretoria de Geoprocessamento é a atualização do mapa político-administrativo de Alagoas. O material conta com as informações mais recentes sobre as principais rodovias federais e estaduais que cortam o Estado; limites intermunicipais; população; municípios com destinação turística e cidades com ocorrência de assentamentos rurais e de etnias indígenas.
 
A partir do mês de janeiro, o Alagoas em Mapas e o novo mapa político-administrativo do Estado estarão disponíveis para visualização através do site informacao.al.gov.br.
 
Fonte: Alagoas 24 Horas.

China lançará primeira pesquisa nacional de geoinformação

A China lançará no próximo ano a primeira pesquisa nacional sobre as condições geográficas do país.
A pesquisa, com um investimento de cerca de 1,1 bilhão de yuans (US$ 175 milhões), durará três anos para monitorar as condições naturais e geográficas da China relacionadas aos seres humanos, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Nacional de Topografia, Mapeamento e Geoinformação.
 
As informações colecionadas incluirão a superfície territorial, as regiões geológicas, as características topográficas e geomórficas do país, assim como as redes de estrada e transporte.
As informações serão utilizadas para estabelecer um banco de dados nacional das condições geográficas do país, diz o comunicado.
 
A administração também anunciou que lançará um programa nacional para equipar as cidades chinesas com serviços públicos digitais apoiados pela rede de geoinformação.
 
Fonte: CRI Online.

PREVISÃO DO TEMPO


Nessa quarta uma nova frente fria avança pelo Sudeste e provoca chuvas em SP, RJ e faixa centro-sul de MG. No Espírito Santo e no Norte de MG o sol predomina e continua as temperaturas máximas acima de 35°C.  No Norte do Brasil a umidade disponível provocam pancadas de chuvas. No Sul, também ocorrem pancadas de chuvas moderadas. No Nordeste muito sol e calor e ocorrem apenas pancada localizadas!
 
MG terá uma quarta com muito sol na maior parte do Estado. Na faixa centro-sul podem ocorrer pancadas localizadas devido a aproximação de frente fria. Toda a RMBH também segue esta tendência: predomínio de sol com possibilidade de chuvas isoladas durante a tarde e noite.  Temperaturas seguem elevadas: máx. de 32°C e mín. de 21°C na RMBH.  
 
 
 
 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Gonzagão mapeou a cultura e a geografia nordestina com baião

Para o cantor e compositor Sergival, que nos dias de hoje apresenta, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, o programa Puxe o Fole, Luiz Gonzaga foi o responsável pela construção da identidade do sertanejo da região nos meios de comunicação de massa.

“A imagem do nordestino projetada através do seu figurino – chapéu de couro, inspirado em Lampião, a jaqueta de couro, inspirada no vaqueiro, as alpercatas de couro, os embornais – todos esses elementos constituíram a grande contribuição de Luiz Gonzaga para popularizar o Nordeste como um todo no país”, relata.

Estudioso da obra do artista, Sergival ressalta que ele e seus parceiros, como Humberto Teixeira e Zé Dantas, mapearam a cultura popular nordestina e a própria região geográfica nas letras de suas músicas .“Os animais, os pássaros, os rios e outros elementos citados nas letras retratam o cotidiano do nordestino, a agricultura de subsistência, a vegetação, a seca. E aí ele entra na questão social, nos reflexos da seca”, acrescenta.

O trio musical formado por sanfona ou acordeom, zabumba e triângulo também foi uma criação de Gonzaga. “Além da intuição de ter um instrumento grave e rítmico, que é a zabumba, um agudo, que é o triângulo, e a sanfona fazendo a harmonia e os solos, havia a facilidade que essa formação permitia para as turnês que ele fazia pelo Brasil inteiro”.

A formação musical facilitava a mobilidade, exigia cachê menor, poucos músicos, além de mostrar os instrumentos típicos do Nordeste: a zabumba, muito usada pelas bandas de pífanos em novenas, e o triângulo, usado pelos vendedores ambulantes para apregoar seus produtos.

Até chegar a essa formação instrumental, Luiz Gonzaga passou por outras etapas em sua trajetória como músico. Ele começou a tocar sanfona com o pai, o velho Januário, que tocava a chamada concertina, um instrumento de oito baixos. Diferentemente do acordeom de teclas, a concertina é de botões e exige outra técnica de tocar. O velho Januário era considerado o melhor nesse instrumento, na região do sertão pernambucano, onde vivia. Luiz Gonzaga cresceu nesse ambiente, com o pai, consertando instrumentos e tocando.

Fonte: Agência Brasil

Prefeitura de Passos sai na frente em geoprocessamento

O Município de Passos é pioneiro na área de abrangência da Ameg (Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande) em georreferenciamento de imóveis em base de dados cartográfica. A Secretaria de Fazenda da Prefeitura de Passos concluiu 80% do trabalho que será disponibilizado primeiramente para o Setor de Cadastro Imobiliário.
 
Até então, as informações dos imóveis urbanos eram disponibilizadas apenas em “fichas de quadras”, em papel, com desenho de vias, divisão dos lotes com as construções, descrição das características e do status de cada lote – se é construção em andamento, se é obra paralisada ou somente lote. Mas esse tempo de buscar a ficha de quadra no arquivo de aço para apresentar ao usuário está com os dias contados. Com o geoprocessamento, a imagem de altíssima resolução é sobreposta pela “ficha de quadra” para realizar a vetorização e codificação de todos os imóveis. Ou seja, ao atender um usuário, o funcionário do Setor de Cadastro Imobiliário da Prefeitura de Passos poderá deixar de lado o papel e visualizar tudo na tela do computador, com imagens cartográficas e todos os documentos digitalizados. “É uma obra de modernização da administração, é uma ferramenta de ampla utilização, não só em nossa Secretaria, mas em todas as outras”, avalia o secretário Edson Toledo.
 
O trabalho vem sendo realizado desde 2009 e exigiu total dedicação, como lembram as funcionárias Maria Denise da Silveira, responsável pelo planejamento e desenvolvimento dos trabalhos, e Renata Helena Pereira Negrão, tecnóloga encarregada do processamento das informações. O processo começou com a aquisição de uma licença de imagem, com 0,5 m (meio metro) de resolução espacial. A área de abrangência dessa imagem é de 125 Km² (quilômetros quadrados), correspondendo à área urbana. A partir da imagem iniciaram-se os trabalhos de georreferenciamento da base de dados do Cadastro Imobiliário do Município.
 
Para o desenvolvimento do projeto, a Secretaria Municipal de Fazenda/Setor de Cadastro Imobiliário estruturou sua equipe exclusivamente com funcionários efetivos do setor e um consultor que foi contratado por um período de dois anos e seis meses. Também integram a equipe cerca de seis estagiários de Engenharia Civil, que fizeram a atualização de dados cadastrais dos imóveis, inserção de documentos, digitalização dos lotes e construções.
 
Todas as informações dos imóveis de Passos foram atualizadas com um cuidadoso trabalho em campo – inclusive com fotografia da fachada dos imóveis. Foi realizada a digitalização dos documentos referentes a cada imóvel, e estão sendo informatizadas na Base de Dados do Município (Sistema de Arrecadação Próprio) que gera anualmente o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
 
Também foi necessária a aquisição do software próprio para o desenvolvimento completo das informações que serão disponibilizadas inicialmente para melhor atendimento do Cadastro Técnico Municipal, para efeitos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), avaliações de imóveis e demais informações do contribuinte.
 
Mas, conforme lembram Maria Denise e Renata, após a conclusão dos lançamentos de todos os imóveis imobiliários (atualmente restam apenas dois setores a serem georreferenciados), a referida base de dados será disponibilizada para todas as Secretarias. Elas ressaltam que seria importante que cada secretaria municipal tivesse um funcionário dedicado ao lançamento de suas próprias informações nessa Base de Dados Cartográfica, para desenvolver seus projetos. Por exemplo: na área da Saúde, a inserção dos focos de dengue, mapeamento dos usuários dos PSFs; na Educação, o mapeamento das escolas e localização das residências dos alunos; em Obras, a pavimentação e fiscalização; para a Secretaria de Planejamento, os estudos e projetos na área de desenvolvimento urbano.
 
Juntamente com o trabalho de georreferenciamento, foi realizado o lançamento de atualização das áreas construídas e inserção de lotes dos loteamentos aprovados e recebidos pela Secretaria de Obras, no Departamento de Tributação (IPTU). Este trabalho foi diário e contínuo, para não ocorrer a desatualização da base de dados que iria comprometer todo o trabalho acima desenvolvido.
 
Para se ter idéia da importância desse trabalho, houve um acréscimo de área construída de janeiro/2009 a dezembro/2012 que totaliza 398.797,83 m². Isso representa um crescimento de 10% nesses quatro anos. Passos tem hoje 4.004.975,86 m² de área urbana construída. “Foi importante o entendimento do prefeito e do Secretário de Fazenda, da necessidade de desenvolvimento do georreferenciamento, para o Município de Passos, considerando a grandiosidade do projeto e seu custo benefício. O êxito obtido se deve ao esforço conjunto de toda a equipe”, avalia Denise Silveira.
 
Fonte: Notícias do Sudoeste.

Georreferência apoia gestão de cidades

Informações geográficas associadas a bancos de dados subsidiam gestores públicos na tomada de decisões para gerenciamento de imóveis, obras e serviços
 


Órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal têm começado a fazer uso de informações georreferenciadas. O motor por trás dessa movimentação é o avanço das tecnologias envolvidas, com destaque para as técnicas de mapeamento e os sistemas capazes de lidar com a explosão de dados (big data), um fenômeno que caracteriza a atual era da informação.
 
Comportando inúmeras definições, o georreferenciamento pode ser entendido como técnica que atribui a um determinado mapa ou planta um sistema de coordenadas, que é ligado a um referencial. “Isso possibilita a extração de posições e medidas dos elementos existentes nas plantas e mapas”, diz o especialista Luis Antonio de Lima, que faz mestrado em georreferenciamento direto de imagens aéreas e comanda a diretoria técnica da Fototerra.
 
O conceito também pode ser definido como uma área do conhecimento que, por meio de grande número de tecnologias, fornece coordenada que aponta, no globo terrestre, localização, pontos de referência e elementos próximos, entre outras informações.
 
O coração do georreferenciamento é a tecnologia Global Navigation Satellite Systems – GPS ou GNSS. De acordo com Lima, hoje não se pode falar em georreferenciamento sem a utilização desses sistemas GNSS, que são classificados como de navegação em terra ou mar e geodésicos.
 
Os GNSS de navegação têm, em geral, baixa precisão de posicionamento e baixo custo. Já os geodésicos são mais dispendiosos, atingem precisões na casa do centímetro e podem valer-se de outras tecnologias, como aparelhos que medem distâncias e ângulos, possibilitando a criação de sistema de referência dos elementos levantados.
 
O geoprocessamento abrange diversas tecnologias de análise, coleta, armazenamento e processamento de dados geográficos. Entre essas tecnologias, destacam-se sensoriamento remoto, digitalização de dados, automação de tarefas cartográficas, Sistemas de Posicionamento Global (GPS) e Sistemas de Informação Geográfica (SIGs).
 
Especialistas, entre eles Lima, acreditam que, com as tecnologias já desenvolvidas e disponíveis, os maiores desafios em projetos da natureza são os seus custos de aquisição e a escassez de capital humano qualificado. O cálculo do custo dos projetos é difícil porque leva em conta fatores múltiplos, como grau de precisão, nível de detalhamento e tamanho do projeto, mas em um ponto a opinião dos entrevistados converge: são projetos caros.
 
Benefícios para a gestão pública

No setor público, os exemplos de benefícios trazidos pelo georreferenciamento tecnológico são incontáveis. A começar pela sofisticação do cadastro técnico multifinalitário, utilizado por prefeituras para gerenciar imóveis existentes e futuras implantações imobiliárias. Na evolução dessa ferramenta, todas as informações oriundas de mapas ou cartas analógicas passaram a ser manipuladas por SIGs, cujas informações são georreferenciadas e ligadas a um banco de dados.
 
Isso significa, conforme explica Lima, que os elementos que compõem a estrutura de uma cidade, seja em sua parte urbana, seja em sua parte rural, hoje estão registrados por meio de sistema que contém uma componente geométrica (como um desenho de um lote ou quadra) e outra componente alfanumérica (nome do proprietário e área do lote, por exemplo).
 
Outros exemplos de aplicações de SIG cobrem as mais diversas áreas de atuação pública, com maior ou menor complexidade, dependendo do escopo e tamanho do investimento. Destacam-se a definição de imóveis que não cumprem sua função social, identificação de locais que possuem alto índice de imóveis subutilizados, cruzamento de dados espaciais com dados socioeconômicos para orientação de políticas públicas, definição dos melhores locais para a implantação de equipamentos urbanos e comunitários (postos de saúde, creches, hospitais, escolas, aterros sanitários, aeroportos, pontes etc.) e dados para análise ambiental, possibilitando o controle de áreas desmatadas, entre várias outras.
 
A escolha da técnica de georreferenciamento está relacionada com o nível de precisão buscado no projeto. Por exemplo, o cadastro urbano – em que são computados valores de impostos com base no tamanho do lote, na área construída e nas benfeitorias locais – não admite erros de precisão acima do metro, sob pena de gerar prejuízo financeiro tanto para o proprietário, quanto para o órgão arrecadador. Já um sistema em tempo real de controle de transporte público pode comportar uma maior margem de erro, segundo Lima.
 
Uma das técnicas mais utilizadas nesses projetos é o aerolevantamento, que consiste na execução de voo com câmera aérea fotogramétrica. As imagens são posteriormente georreferenciadas por meio de GNSS, gerando as cartas e os mapas georreferenciados. O uso de SIGs para ligar as informações gráficas a informações alfanuméricas contidas em bancos de dados específicos permite a criação de mapas temáticos, que são utilizados para a tomada de decisão de setores públicos específicos.
 
 
 
Porto Alegre

Um caso de uso adiantado do geoprocessamento em prol do município é o de Porto Alegre. A atividade ganhou impulso na capital gaúcha a partir de 2005, na esteira dos investimentos da prefeitura em infraestrutura de rede e capacidade computacional.
 
Éberli Riella, gerente de tecnologia e serviços da Procempa, empresa de TI da cidade de Porto Alegre, informa que todo o espaço geográfico da cidade já está espacializado e com todos os seus elementos aptos a serem geridos. “Fizemos um voo aéreo fotogramétrico e as imagens foram acopladas aos mapas das diversas regiões, de forma que qualquer elemento novo, seja casa, obra ou rua pode ser facilmente identificado pelo gestor”, diz ele, acrescentando que, “atualmente, todas as áreas da administração municipal alimentam o banco de dados e se alimentam dele, gerando mapas temáticos customizáveis, acessíveis por meio de portal nos moldes do Google Maps”.
 
Riella diz que a infraestrutura que permite as aplicações avançadas de georreferenciamento no dia a dia da administração municipal inclui datacenter próprio, que centraliza servidores e bancos de Oracle e armazenam grande volume de informações. Ali, elas são processadas e distribuídas para os cerca de 400 prédios públicos da cidade, interligados por 800 km de fibras ópticas e tecnologia sem fio. O órgão mantém uma equipe de dez especialistas dedicados ao georreferenciamento, além de dezenas de outros profissionais que alimentam o banco de dados a partir dos sistemas integrados dos órgãos e das secretarias.
 
O arsenal tecnológico da Procempa na área de georreferenciamento inclui mix de softwares proprietários e de código aberto. “Criamos uma área específica para supervisão de geomática, para incorporar ao datacenter todas as tecnologias de cartografia, devolvendo aos usuários dados em forma de relatórios especializados e mapas temáticos”, diz o gestor. Ele assegura que qualquer gestor público com qualificação mediana pode acessar um mapa temático e ter facilitadas suas tomadas de decisão.
 
Para ilustrar as facilidades trazidas pela tecnologia, o executivo informa que hoje um funcionário da Prefeitura de Porto Alegre encarregado de abrir um cano de água enterrado sabe exatamente sua localização e profundidade. “Porque o departamento responsável pela captação e distribuição de água está com suas atividades 100% geoprocessadas, o que significa que o sistema enxerga toda a canalização subterrânea com base em sua posição geoespacial”, diz.
 
Riella não precisa o valor que a Prefeitura de Porto Alegre já despendeu para atingir o estágio atual em termos de georreferenciamento, mas adianta que se trata de investimento grande e complexo. “Nem sempre é compatível com o orçamento e com a capacitação dos recursos humanos de pequenos municípios”, diz.
 
Uma alternativa para orçamentos menores, em sua avaliação, seria a formação de consórcios entre municípios pequenos para montar e compartilhar datacenter e serviços. “Outra tendência é contratar serviços por meio da computação em nuvem, em lugar de gastar com pessoal capacitado e infraestrutura”, diz o executivo.
 
GeoObras

Um exemplo de compartilhamento de recursos de georreferenciamento que beneficia municípios de qualquer porte é o GeoObras, um SIG que permite controle externo de obras e serviços de engenharia executados por Estados e municípios. O instrumento foi criado pelo Tribunal de Contas do Mato Grosso (TCE-MT), mas já está sendo utilizado por diversos Estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Rio de Janeiro.
 
A ferramenta do TCE-MT permite inserção, em banco de dados, de fotografias convencionais georreferenciadas, imagens de satélite e dados físico-financeiros oriundos de documentos de licitação, contratação e execução da obra, entre outros. Quem alimenta o sistema são os próprios órgãos municipais e estaduais (jurisdicionados) responsáveis pelas obras. Por meio de um módulo de acesso específico, eles enviam pela internet informações e documentos relacionados com todas as etapas das obras e dos serviços de engenharia.
 
Os dados requeridos pelo GeoObras incluem descrição e localização de pontos georreferenciados (definidos por coordenadas geográficas). Em obras grandes e lineares ou que ocupem grandes áreas, como, por exemplo, linhas de transmissão, redes de abastecimento, rodovias, barragens e campos de irrigação, o usuário insere pontos que permitam definir o contorno ou o caminhamento da obra e também pontos de interesse, como início de trechos, estacas, locação de unidades ou equipamentos especiais, áreas diferenciadas, pontos críticos etc.
 
No TCE-MG, onde o GeoObras está em fase de implementação, o coordenador do setor de fiscalização de obras e serviços de engenharia do órgão, Luiz Henrique Starling, destaca como diferencial do sistema o fato de que, embora tenha função principal de facilitar as auditorias do TCE, ele também incrementa a gestão das secretarias municipais, não importa o tamanho da cidade, uma vez que os jurisdicionados do TCE (todos os órgãos municipais e estaduais sob jurisdição do Tribunal) têm módulo próprio para acesso via web (assim como todos os órgãos públicos de controle que são parceiros do TCE e os cidadãos).
 
“A população tem acesso às obras e pode, inclusive, fazer comentários e enviar imagens e denúncias caso identifique no sistema informações que não batem com a obra que ele vigia em seu município”, diz o especialista.
 
A implementação do GeoObras conta com a parceria com o Instituto de Geociências Aplicadas (IGA) e o Governo Estadual ajuda a alimentar o banco de dados com aquisição de imagens via satélite e fotos tiradas por fiscais nos canteiros de obras.
 
Em Minas Gerais, o GeoObras ainda está em fase de teste em 66 municípios e duas empresas estatais, mas Starling já vislumbra todo o seu potencial. “Numa obra de infraestrutura em uma estrada, é possível, dependendo da resolução de imagens, fazer medidas e inferências, comparar detalhes com informações prestadas pelo jurisdicionado ou mesmo confirmar se uma obra remota de fato existe”, ilustra.
 
A expectativa dos idealizadores do GeoObras é que o aprimoramento constante do sistema permita atualizações em um ritmo tal que o acompanhamento detalhado das obras ocorra em tempo real. A tecnologia já oferece capacidade para tanto, eles dizem, mas o avanço depende de investimentos.
 
 


Secretarias de obras

 Na percepção do gerente de marketing e produto do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Carlos Alberto Previdelli, o georreferenciamento no setor público ainda se restringe a áreas específicas e carece de integração de sistemas e de informações. Mas ele enxerga a forte expansão da tecnologia no setor, sobretudo o seu uso associado com fotos de satélite para acompanhamento de grandes obras, como usinas e estádios. “Todo o rodoanel de São Paulo foi acompanhado por tecnologia geoespacial”, lembra o executivo do CPqD, empresa que tem o seu sistema modular GeoMunicipal implantado em cidades como as paulistas Campinas e Osasco, entre outras.
 
Segundo Previdelli, por meio de módulo específico para secretarias de obras, a inserção de informações e imagens de satélite de tempos em tempos permite acompanhamento macro da obra. “O software não se destina a acompanhamento passo a passo da engenharia, mas oferece cronograma para acompanhamento macro da obra, com informações visíveis a todas as demais áreas”, explica.
 
O executivo admite que montar um sistema integrado é um desafio complexo, porque requer conhecimento de toda a logística de uma prefeitura, além de leis, normas etc. “Não são projetos que envolvem apenas software, mas também digitalização e reaproveitamento de dados, montagem de processos e integração com outros sistemas, entre vários outros esforços”, diz Previdelli.
 
 Dependendo do caso, ele salienta, é preciso fazer todo o trabalho de coleta de informações nas várias áreas, contratar parceiros e fazer novos voos sobre a cidade para levantar informações atualizadas e montar mapa de referência. “É um processo pesado”, diz o executivo, acrescentando que o custo final depende de muitas variáveis, entre as quais, o número de funcionários que usarão a solução.
 
No caso de prefeituras com menos recursos, ele acredita que o primeiro passo deve ser definir as áreas mais importantes e que precisam de retorno rápido. “O administrador pode estruturar e converter dados que já existem, complementando-os com informações que faltam, ou partir para técnicas de coleta de dados de imagem de satélite, caso queira atingir um nível de precisão maior”, diz.
 
Fonte: Infraestrutura Urbana.